Governo de SC responde STF e defende manter proibição de cotas raciais em universidades

  • 29/01/2026
(Foto: Reprodução)
Tribunal de Justiça de SC suspende lei que proíbe cotas raciais nas universidades públicas O governo de Santa Catarina apresentou informações ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a lei sancionada neste mês que estabelece o fim do ingresso por cotas raciais em universidades públicas, privadas e comunitárias que recebem verbas do Estado. O documento atende determinação do ministro Gilmar Mendes e defende a rejeição do pedido de suspensão da norma. O documento assinado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) nesta quinta (29) atende a pedido feito pelo ministro Gilmar Mendes na segunda-feira (26). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp A lei nº 19.722/2026 proíbe a adoção de cotas raciais e outras ações afirmativas identitárias, mas mantém a reserva de vagas para pessoas com deficiência, estudantes hipossuficientes e egressos da rede pública estadual. A ação que contesta a lei foi apresentada pelo PSOL, União Nacional dos Estudantes (UNE) e Educafro, que alegam violação aos princípios da igualdade, da autonomia universitária e da proteção contra retrocessos sociais. O governo alega ainda: que a lei "não tem índole discriminatória ou segregacionista". que a autonomia universitária não é "soberania absoluta". citou um caso que viralizou nas redes esta semana envolvendo uma mulher trans que passou em Medicina na UERJ. que a lei não proíbe o ingresso de "negros, pardos, índios ou qualquer gênero ou orientação sexual" no ensino superior, desde que sejam hipossuficientes, PCD ou oriundos do ensino público. O Estado também sustenta que suspender a lei geraria insegurança jurídica e prejudicaria processos seletivos em andamento, como o vestibular da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). "É imperativo pontuar que o diploma estadual não possui, nem em sua gênese, nem em sua estrutura normativa, qualquer índole discriminatória ou segregacionista", diz o documento. O Estado também argumenta que Santa Catarina possui um perfil racial distinto do restante do país. Segundo o governo, “Santa Catarina tem a maior proporção de população branca do Brasil, chegando a 81,5% dos habitantes”. Dados do IBGE de 2021 mostram que pessoas pretas e pardas representam 18,1% da população catarinense — percentual bem menor do que a média nacional, que é de 56,1%. 🔍Dados mais recentes do Censo 2022 mostram um cenário em rápida transformação. Nos últimos 12 anos, houve um crescimento expressivo da população preta e parda: alta de 88,6% entre pardos; alta de 68,6% entre pretos; resultando em 813 mil pessoas a mais, um aumento total de 84,78%. Como consequência, pretos e pardos já representam 23,29% da população catarinense. Ou seja, ainda que a população branca permaneça majoritária (76,28%), há um crescimento claro da presença de grupos raciais historicamente vulnerabilizados. Lei está suspensa no estado Apesar do pedido no STF, a lei que estabeleceu o fim das cotas raciais está suspensa após outra decisão, desta vez no Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Sala de aula vazia em Santa Catarina Jonatã Rocha/Secom/Divulgação Alesc e Udesc também respondem Também notificadas pelo ministro, a Assembleia Legislativa pediu a extinção da ação sem resolução de mérito e sustentou a inexistência de vícios na lei estadual. O documento é assinado pelo presidente da assembleia, o deputado Júlio Garcia (PSD), e pela procuradora-geral do Poder Legislativo, Karula Genoveva Batista Trentin Lara Corrêa. Já a Udesc respondeu ao governo sobre o estágio atual do vestibular, conforme solicitado pelo ministro. O texto é assinado pelo reitor da universidade, Prof. Dr. José Fernando Fragalli. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/01/29/governo-de-sc-responde-stf-lei-proibicao-cotas.ghtml


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